Glinia Cassia Rocha Dias Carneiro.

“Só sabe onde o calo aperta quem calça o sapato…”

Estamos passando por um momento muito desgastante e cruel, sendo penalizados de todas as formas possíveis. A AGED-MA nunca desvalorizou tanto os seus servidores como hoje. Até mesmo entre os próprios colegas. Muito triste!!!… Trabalhos que custaram o suor de muitos e a vida de outros para estarem hoje no lugar onde estão. Quem entrou na AGED por concurso – 1° Concurso – Parabéns! Mas muitos de nós já éramos AGED mesmo antes de ela nascer. E participamos desde a sua gestação até hoje, com muito suor e garra. Dias e noites, fazendo chuva ou sol, finais de semana, horas dedicadas em casa ao serviço público, madrugadas sem receber um centavo a mais.

Não tínhamos férias e nem direito a feriados, muito menos contagem no tempo de serviço. “Trabalho escravo”, mas feito com amor e muito compromisso. O preço pago por muitos é o comprometimento da própria saúde, que passa a imagem de um servidor relaxado, que não quer ter compromisso, por si só calado e sem direito de questionar ou manifestar-se. Sofredor em silêncio! Quem se importa se sobrevive ou não? É menos um na lista para ter dor de cabeça, já vai tarde… Não existe mais uma família na AGED, essa é a verdade! Cada um luta por si. “Eu só faço o que me mandam” é o mantra. E se o que mandam é injusto, é desumano, faça-se!. “Se for para não cair na minha cabeça, o resto que se vire…”.

Vimos um dia ela brilhar, e hoje parece que não temos colegas que torcem pelo melhor da Agência. Se há quem não percebeu, a Agência somos todos nós. Ela cresceu porque cada um sabia acolher o outro. Havia se tornado uma família. Hoje há quem PISE o outro para chegar aonde quer. E ainda destrói de todas as formas a imagem do colega que fez parte da história.

Quando vejo muitos que eram “tops” na AGED, exemplos de dedicação, serem apagados e reduzidos a pó, isto me entristece muito. Porque são pessoas que deram suas vidas e, por qualquer motivo e/ou não estarem na ativa, são incompreendidas. As pessoas envelhecem; que os MAIS NOVOS entendam isso.

Aprendi quando entrei na AGED, antes mesmo de ela nascer, que não se deve desprezar ninguém. Vi agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas desanimados, muito entristecidos e sem rendimento. Eram “taxados” de preguiçosos pela própria Gerência. Mas como render se eram “podados”? Dentro de seus limites eram “velhos” demais para dar conta do serviço. Essa era a visão disseminada para nós que estávamos chegando. No entanto, para nossa surpresa, colocaram, logo que se formou a primeira equipe destinada ao ramo, um técnico bem idoso, com problemas de saúde (joelho, dificuldade de visão, diabetes, muitos anos sem dirigir), exemplo de superação. Tinha tudo para não dar certo! Como ele vai aguentar? E foi ele uma das imagens mais fortes por mim gravadas. Sua surpreendente atuação ultrapassou todos os limites. De tal modo que, um dia, a gerente reuniu-nos, ao final de um dia de trabalho, para conversar com ele e sobre ele. O desprezo cedeu lugar ao reconhecimento. E dinheiro não foi o que mais se destacou nesta mudança de comportamento: foi a valorização de seu trabalho pelos colegas, confiantes no que ele fazia. O restante veio…

Entendamos que não adianta querer destruir os companheiros. Todos temos a nossa história, todos temos, no mínimo, uma gota de suor nesse caldeirão, representativo do valor do nosso trabalho. Cada um que compomos o corpo desta Agência temos problemas, enfrentamos dificuldades, tentamos, a cada dia, vencer a batalha que se apresenta diante de nós. A vida é muito curta; se não somos capazes de ajudar o próximo, não somos dignos de formar uma equipe. Hoje o que a AGED mais necessita é de união: união de valores, companheirismo, sinceridade, autenticidade…

Vejo a busca por muitas coisas “justas” e “corretas” representando cada vez mais decisões “injustas” e “incorretas”. A autodestruição é cada vez mais pujante, alimentada por injustiças e erro. Porque a busca está focada no servidor e não na melhoria das ações. Pergunto-me, até, se a intenção final não é esta? Porque o servidor, hoje, passa por momento de terrível pressão psicológica. A AGED está doente.

Ninguém suporta minha gente; uma hora estoura. Não adianta dinheiro se não há união. A AGED, eu observando tudo isto, está extremamente desgastada. A mudança tem que começar por nós, com a coerência de nossas atitudes. Com o aprendizado pelos nossos erros. Toda conquista impõe uma luta e a primeira luta a vencer está dentro de nós mesmos! Ainda respiramos! Só precisamos perceber que ainda estamos vivos! Mesmo que tudo pareça difícil, é necessário que lutemos para vencer. Mesmo caindo!

*Fiscal Estadual Agropecuária

Timon-Ma

Publicado em: maio 8th, 2021 / Categorias: Artigos /