As moscas-das-frutas são as principais pragas da fruticultura mundial e seus danos causam prejuízos anuais de cerca de um bilhão de dólares (GODOY et al., 2011).
Entre as moscas-das-frutas, está a Bactrocera carambolae Drew & Hancock, 1994 (Diptera: Tephritidae: Dacinae), conhecida como mosca-da-carambola, que pertence ao complexo Bactrocera dorsalis de moscas-das-frutas, que compreende outras 74 espécies (CLARCKE et al., 2005).
Nativa do Sul da Ásia (Indonésia, Malásia e Tailândia), B. carambolae foi relatada pela primeira vez na América do Sul em Paramaribo, no Suriname, em 1975 (LEMOS et al., 2014). Em 1996 o inseto foi detectado no município do Oiapoque, estado do Amapá, e recebeu o status de Praga Quarentenária Presente (PQP) (cuja denominação anterior dava-se por Praga Quarentenária A2) (BRASIL, 1999). Ainda PQP, B. carambolae continua sob ações do “Subprograma de Prevenção, Contenção, Supressão e Erradicação da praga Bactrocera carambolae” do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), conduzidas nos estados de Amapá, Roraima e Pará (BRASIL, 2018; 2019).
Trata-se da única espécie do gênero Bactrocera presente no Brasil. Monitoramentos em áreas no entorno dos estados com a presença da praga, com maior número de armadilhas quando comparados a estados de baixo e médio risco, vêm sendo realizados, dado que os estados do Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins foram indicados pelo MAPA como os de alto risco para entrada e dispersão da praga (MAPA, 2020).
A importância econômica da mosca-da-carambola está relacionada não só aos danos que ela pode causar aos frutos de seus cultivos hospedeiros, mas também às restrições quarentenárias impostas pelos mercados importadores (BARRETO et al., 2011).
O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, perdendo somente para a China e a Índia (TOKARNIA, 2017), dispondo de área de cultivo superior a 2 milhões de hectares e produção anual de aproximadamente 44 milhões de toneladas (PNDF, 2018).
A fruticultura brasileira é uma das mais diversificadas, com calendário de safra distribuído ao longo do ano todo. Sua cadeia produtiva gera mais de 5 milhões de empregos em áreas onde outras atividades de produção de alimentos não seriam viáveis economicamente como, por exemplo, o Semiárido brasileiro, atingindo a marca de 16% de todos os empregos dentro do agronegócio (PNDF, 2018).
No Maranhão é realizado o monitoramento para detecção da praga a cada 15 dias, sendo realizado pela AGED em conjunto com o MAPA.
Temos na Unidade regional de Zé Doca 45 armadilhas instaladas, dessas uma é de prospecção do tipo Mcphail, onde a sua manutenção é realizada a cada 3 meses.
A ação de monitoramento da praga na unidade regional de Zé Doca ocorre nas cidades de Santa Luzia do Paruá (1), Zé Doca (4), Presidente Médici (1), Governador Nunes Freire (3), Maracaçumé (5), Centro Novo do Maranhão (3), Junco do Maranhão (3), Boa Vista do Gurupi (7), Amapá do Maranhão (2), Carutapera (9), Luís Domingues (3), Godofredo Viana (1) e Cândido Mendes (3).
A mosca da carambola é considerada uma das mais severas moscas-das-frutas, capaz de atacar várias frutíferas tais como carambola, manga, caju, laranja, acerola, jaca, tangerina, jambo, goiaba e etc.
As armadilhas utilizadas para a detecção da praga é do tipo Jackson, que é composto por uma estrutura de papel resinado, piso adesivo e a isca tóxica com feromônio e inseticida. Os machos são atraídos pelo feromônio, pousam no piso adesivo e morrem.
A ação é executada pela fiscal estadual agropecuário Iolanda Sousa e pelo auxiliar de fiscalização agropecuária Marlon Cutrim, na Unidade Regional de Zé Doca.
“Como medida de prevenção, sempre orientamos que não se traga frutas hospedeiras dessa praga oriundas dos estados infestados”